cover
Tocando Agora:

Após reconhecer transtorno mental, Justiça absolve mulher que matou irmão com mais de 30 facadas no Acre

Camila Arruda foi absolvida por matar o irmão com mais de 30 facadas em Rio Branco Reprodução A Justiça do Acre absolveu Camila Arruda Braz, de 37 anos, acu...

Após reconhecer transtorno mental, Justiça absolve mulher que matou irmão com mais de 30 facadas no Acre
Após reconhecer transtorno mental, Justiça absolve mulher que matou irmão com mais de 30 facadas no Acre (Foto: Reprodução)

Camila Arruda foi absolvida por matar o irmão com mais de 30 facadas em Rio Branco Reprodução A Justiça do Acre absolveu Camila Arruda Braz, de 37 anos, acusada de matar o próprio irmão, Ramon Arruda Braz, com 37 facadas em junho de 2025 no Conjunto Tucumã, em Rio Branco. A decisão reconhece que ela era inimputável no momento do crime devido a Transtorno Esquizoafetivo. Apesar da absolvição, a sentença determinou a aplicação de medida de segurança com internação em estabelecimento de saúde adequado, pelo prazo mínimo de três anos. A decisão é do juiz Fábio Alexandre Costa de Farias. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp 👉 Contexto: O crime ocorreu no dia 3 de junho de 2025 dentro da casa onde Camila e Ramon moravam com a mãe. Segundo a denúncia do Ministério Público, Camila trancou as portas e janelas da residência antes de chamar o irmão ao quarto, impedindo que ele fugisse ou recebesse ajuda. A vítima foi atingida por 37 facadas, sendo 12 no coração. A filha de Camila, de 6 anos, estava no local e presenciou o crime. Conforme a sentença, a acusação sustentava que Camila teria interrompido, de forma voluntária, o tratamento psiquiátrico e sofrido um surto após suspeitar que a vítima abusava sexualmente da filha. Segundo a acusação, com o pretexto de pedir ajuda para consertar um ventilador, a acusada desferiu os golpes que causaram a morte do irmão. g1 no BDAC: Mulher acusada de matar o irmão a facadas tem audiência marcada em Rio Branco Durante a instrução processual, foi então instaurado incidente de insanidade mental. De acordo com a decisão, o laudo psiquiátrico concluiu que Camila é portadora de Transtorno Esquizoafetivo (CID-10 F25) e que, no momento do crime, não possuía capacidade de compreender o caráter ilícito da sua conduta e bem de agir de acordo com esse entendimento. “Ao tempo da ação, por motivo de doença mental, a pericianda apresentava incapacidade completa de entendimento e de determinação. A inimputabilidade é aplicável”, destaca a decisão sobre a conclusão do laudo. LEIA MAIS: Justiça pede exame de insanidade mental para mulher acusada de matar o irmão a facadas no AC Acusada de matar irmão com mais de 30 facadas no Acre se torna ré por homicídio qualificado Mulher é presa em flagrante suspeita de matar o irmão a facadas durante discussão em Rio Branco Mulher que desferiu 37 facadas no irmão já tinha tentado matá-lo antes, diz parente: 'Premeditado' O Transtorno Esquizoafetivo é uma doença que apresenta sintomas da esquizofrenia junto com Transtorno Afetivo Bipolar, descrito por alterações de humor como euforia, depressão ou ambos. Na sentença, o juiz também ressaltou que a conclusão técnica foi corroborada pelo histórico psiquiátrico da acusada, pelos depoimentos das testemunhas ouvidas durante o processo e pelos relatos da mães dos envolvidos, que descreveu episódios recorrentes de delírios e perseguições relacionados à filha da acusada. Além disso, ao analisar a interrupção do tratamento medicamentoso, a decisão afastou a tese de que a suspensão dos remédios teria sido um ato livre e consciente. “A má adesão terapêutica, em quadros psicóticos com prejuízo de insight, é ela própria manifestação da moléstia, e não ato livre em sentido penal”, destaca o processo. Ramon Arruda e Camila (esq.) com a mãe e as irmãs em abril deste ano durante ensaio fotográfico Reprodução Internação Ainda conforme o documento, embora o laudo apontasse, em uma determinada parte, a indicação de tratamento ambulatorial e, em outro, o risco elevado de violência, o magistrado entendeu que havia uma contradição interna na perícia. Apesar disso, o juiz concluiu que, diante das circunstâncias concretas, a internação era a medida mais adequada. Na decisão, o magistrado enfatizou que a medida possui finalidade terapêutica e não punitiva. Além disso, a internação não pode ocorrer em ala psiquiátrica de presídio e nem em qualquer outro estabelecimento prisional. “A internação ora determinada é medida de natureza terapêutica, e não de contenção penal. Não será cumprida em ala psiquiátrica de complexo penitenciário, nem em estabelecimento prisional de qualquer natureza, nem em instituição de características asilares [...]”, determina. A sentença estabelece ainda que, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) tem o prazo de 30 dias para indicar uma vaga em uma unidade de saúde adequada. Caso isso não ocorra, a Justiça vai reavaliar a modalidade da medida de segurança. Ainda de acordo com a decisão, com a absolvição, a prisão preventiva da acusada foi revogada e ela deve ser transferida para uma unidade de saúde. “A absolvição, ainda que imprópria, é incompatível com a subsistência da prisão preventiva [...]. Manter a acusada presa preventivamente até que se viabilize estrutura adequada, como postula o Ministério Público, seria conservar segregação sem título jurídico próprio, o que não se admite”, detalha o documento. Ramon Arruda Braz, de 41 anos, foi morto a facadas pela própria irmã Foto: Reprodução Denúncia Na denúncia aceita pela Justiça, o MP classificou o crime como 'homicídio qualificado cometido mediante traição, emboscada, ou dissimulação,'. Neste crime, trata-se do ato de Camila ter enganado o irmão, escondendo a intenção de matá-lo e também impossibilitando que ele se defendesse das facadas. Conforme familiares, a acusada tem diagnóstico de transtorno bipolar e chegou a fazer tratamento no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac), mas estava sem acompanhamento médico e sem tomar a medicação há algum tempo antes do crime. Em entrevista ao g1, uma parente da vítima, que pediu para não ter o nome divulgado na época, informou que Camila já teria tentado matar o irmão anteriormente. De acordo com o familiar os dois tinham uma relação conturbada e sempre discutiam muito. Ainda conforme a família, Camila alegou para a polícia que suspeitava que o irmão teria abusado da filha. Porém, os familiares negam a acusação e afirmam que Ramon cresceu em um lar com muitas mulheres e sempre foi um homem respeitador. Reveja os telejornais do Acre